Retomando os trabalhos.

É com grande alegria e satisfação que informamos que, apesar das notícias reportadas aqui no blog há alguns meses tratando das ameaças de mudanças nas regras do PIBID pela portaria Nº 46, de 11 de abril de 2016 – que resultariam em perdas de direitos aos integrantes do programa – e até mesmo após a existência do nosso querido PIBID interdisciplinar Intervale ser ameaçada, foi através de muita resistência dos nossos antecessores e de todos os pibidianos que hoje podemos anunciar o retorno das atividades do PIBID intervale ocorridas desde o segundo semestre de 2016.

Atualmente o PIBID interdisciplinar conta com uma equipe quase que inteiramente nova, exceto pela professora Ivete Fátima Stempkowski, que segue firme em sua excelente atuação como supervisora, nos orientando para a continuação deste trabalho encantador e um tanto desafiador. Neste processo de retorno, é importante para nós ressaltarmos o respeito e a admiração que conservamos pela equipe que nos antecedeu, de forma que pretendemos contemplá-la ao máximo nessa nova etapa.

Pois bem, parece que chegou a hora de nos apresentarmos! Somos alunos de graduação em licenciatura dos cursos de física, Érick Barcelos Goulart e Flávio Peres; de ciências biológicas, Caroline Tavares Passos e Gabriel Nunes Ferreira; e química, Tainá Piñeiro; orientados pela professora Adjunta do Departamento de Astronomia do Instituto de Física da UFRGS, Daniela Borges Pavani, cuja bagagem é carregada de experiências em coordenação, participação e desenvolvimento de programas educacionais.

Portanto, a partir de agora, o blog do projeto e a página do facebook voltarão a ser atualizados com as atividades desenvolvidas pelos pibidianos. Para acessar nossa página no facebook, clique aqui. Seguimos trabalhando por uma educação diferente da educação bancária tão vigente em nosso sistema. Contra os cortes na educação e pela manutenção do PIBID!

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Nova equipe do PIBID Interdisciplinar UFRGS Campus do Vale.

Será o fim do PIBID?

É com imensa apreensão que recebemos hoje a notícia de que as mobilizações realizadas ao longo dos últimos meses em prol da manutenção dos projetos PIBID por parte da CAPES podem não ter resultado em qualquer positividade.

Por meio da CARTA DO FORPIBID 2016 – 1º de maio (FORPIBID é o Fórum de Coordenadores Institucionais do PIBID), ficamos sabendo que no dia 15 de abril passado fui publicada no Diário Oficial de União uma portaria na qual se estabelecem novas regras para o funcionamento dos PIBID de todo o país, alterando as regras pelas quais os projetos iniciados pelo último edital estavam funcionando.

Sejam quais forem as intenções que movem mudança das regras do jogo no meio da partida, entendemos que as consequências desta nova regulamentação serão nefastas para todos os envolvidos, desde os professores em formação, passando pelos supervisores das escolas, e os alunos da escola básica brasileira, das atuais e futuras gerações.

Gostaríamos de nutrir esperanças quanto ao que virá, mas parece que isso está cada dia mais difícil, em todas as esferas da vida pública de nosso país.

Sem título.

A foto acima é de Daniel Simão Nascimento,

tirada em uma praça de Berlim numa tarde fria de junho de 2012.

Na beira da escultura, versos de um sombrio poema de Nelly Sachs.

“Atração” em Perspectiva: Uma Ação de Formação Interdisciplinar

Por Gisele Secco

Há meses atrás, buscando suprir parte da demanda por ações de formação continuada de docentes das escolas nas quais atuam os subprojetos PIBID, visitei a Escola Técnica Estadual Senador Ernesto Dornelles para conversar com alguns colegas sobre o assunto.

Era uma tarde de hora-atividade (o tempo dedicado aos planejamentos conjuntos de professores as mesmas áreas de uma escola) dos colegas das Ciências da Natureza. Foi-me sugerido como tema importante a sexualidade, que segundo a colega da Biologia só era abordada (via trabalho em torno do tópico “reprodução humana” no terceiro ano do ensino médio), quando “já é tarde demais” – especialmente pensando nos casos cada vez mais comuns de gravidez na adolescência entre as estudantes da escola.

Em conversa com colegas coordenadoras de outros PIBID UFRGS, acabamos acertando um eixo para trabalhar interdisciplinarmente algo que se conecta, mas não se resume, ao tema sexualidade. Escolhemos a ideia de atração.

Apresentamos as possibilidades de contribuição de alguns componentes curriculares envolvidos em nosso projeto, numa espécie de abordagem perspectivista – Língua Portuguesa, Física, Matemática, Biologia, Ciências Sociais, Filosofia e Artes. Claro que foram mencionadas, ao longo da apresentação, outras conexões possíveis. Aqui há um arquivo em formato .pdf com os slides da apresentação.

Pretendo escrever ainda um texto, no qual constarão maiores amparos conceituais para este tipo de planejamento que explora a transversalidade de algumas noções – como a de atração – para a criação de planejamentos (e por que não, em tempos de estabelecimento da BNCC, de currículos?) e ações didáticas diferenciadas e felizes.

A ação de formação ocorreu hoje pela na Escola, e a nosso ver foi bem sucedida: os professores se mostraram interessados em nossa sugestão de planejamento interdisciplinar, mesmo singela e provisória.

Obrigada ao setor pedagógico da Ernesto Dornelles pelo espaço e aos colegas que nos cederam um par de horas de seu tempo para nos ouvir. Esperamos suas avaliações!

 

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Estiveram presentes mais de 30 professores do Ensino Médio regular.

Estiveram presentes mais de 30 professores do Ensino Médio regular. Na primeira foto, Gustavo fala de como a atração é conceito chave para compreender as forças gravitacional e eletrostática. Fotos: Ronald Augusto). Na terceira foto, Ronald Augusto apresenta relações entre música, cinema e ciências (com o auxílio de Fred Astaire e Cole Porter).

 

Oficina de escrita – uma continuação

Por Vitória Teixeira Agnoletto

A ideia de uma oficina de produção textual sobre a função referencial da linguagem se origina a partir da observação por parte das bolsistas pibidianas de uma necessidade das turmas com as quais temos contato, no turno da tarde do Ensino Médio da Escola Estadual de Ensino Médio Ernesto Dornelles, de pensarem mais sobre o processo de escrita. Aproveitando-se do gancho cedido pela oficina do pibidiano Ronald Augusto, que tratava de produção textual lírica, as bolsistas se apoiaram no livro Da Redação a Produção Textual, de Paulo Coimbra Guedes, para montar a oficina que tinha a intenção de abordar os mecanismos utilizados para a escrita de textos objetivos, mais próximos do modelo acadêmico. Essa intenção específica tinha em mente dar auxílio aos estudantes na produção de seus trabalhos finais para a disciplina Seminário Integrado, que se assemelham ao modelo de um artigo acadêmico.

A primeira parte da oficina, mais teórico-expositiva, aconteceu no dia cinco de outubro e nas turmas 202, 203 e 303. Foram abordadas as funções comunicativas, mitos e verdades sobre escrita e reescrita e a apresentação das qualidades discursivas propostas por Guedes na forma julgada mais acessível e que mais se encaixasse no contexto das turmas. As turmas foram muito receptivas com o assunto e participativas, mesmo com a resistência de alguns e com uma acidental dispersão de parte da turma 303.

A segunda parte da oficina foi dada duas semanas após, no dia vinte e seis de outubro, graças a um feriado e um contratempo. Esta parte da oficina, que colocava em prática do que havia sido visto na primeira parte, dependia mais da cooperação e participação dos alunos para ter êxito e novamente foi bem recebida pelas turmas, mesmo com a junção da 203 e 303, que a assistiram como um grande grupo. Com pouca resistência às produções propostas, foi surpreendente para as bolsistas o quanto os alunos lembraram do que já havia sido dito e a qualidade de seus questionamentos e participações. A totalidade das oficinas resultou na produção de textos descritivos como exercício de escrita para os estudantes.

Vitória e Tamires

A luta dos professores estaduais é por seus direitos como trabalhadores e pela qualidade no Ensino Público Estadual

Por Ivete Fatima Stempkowski

Sou formada em Ciências Sociais pela Unisinos e Mestre em Ciências Sociais com enfoque em “Organizações e Sociedade” pela PUC-RS. Professora do Estado do Rio Grande do Sul, na Escola Técnica Senador Ernesto Dornelles, e Professora Supervisora do Projeto PIBID InterVale (UFRGS).

Escrevo este texto para relatar as principais razões que levaram os professores da rede estadual a realizarem suas manifestações e a entrarem em greve.

A mobilização dos professores começou com o parcelamento dos salários dos servidores, ainda no mês de julho deste ano. Num primeiro momento, por orientação do CPERS, os períodos de aula (em sala) foram reduzidos, como forma de protesto. No final do turno, os professores da Escola Técnica Estadual Senador Ernesto Dornelles realizavam aulas de cidadania. Até mesmo uma aula na rua foi realizada, trancando a Duque de Caxias por mais de uma hora.

Aula na rua

As atividades foram realizadas para alertar a sociedade e conscientizar os alunos sobre o descaso com os professores e com a educação pública.

Além do atraso no salário dos professores, as escolas também não receberam, desde o mês de julho, as verbas da “Autonomia” – valores mensais utilizados para despesas diárias e compras de materiais. (Algumas escolas chegaram a ficar sem luz e inclusive sem papel higiênico.)

Por estes motivos é que a paralisação e as mobilizações dos professores não são apenas pelo parcelamento dos salários, mas também para mostrar a sua indignação com os projetos que o governo está encaminhando para votação na Assembléia Legislativa do Estado, e que representam a desvalorização dos serviços públicos e dos servidores.

Uma das situações mais chocantes dessas mobilizações ocorreu no dia 22 de setembro de 2015, quando três professores da Rede Estadual de Ensino foram presos, pois insistiam em entrar na Assembléia Legislativa para acompanhar a votação do projeto de Lei 320/2015, que trata do aumento do ICMS (imposto de circulação de mercadorias e serviços) do Estado, de 17% para 18%.

Os servidores entendem que o governo poderia ter feito outras escolhas para sanar a dívida do Estado. Ao invés de aumentar ainda mais a conta da população com o aumento do ICMS – ao mesmo tempo em que precariza os serviços públicos ao piorar as condições de trabalho dos servidores, especialmente das categorias que prestam os serviços essenciais para a sociedade: saúde, educação e segurança. Entendemos que o governo poderia ter optado em revisar a opção de isenção de impostos para grandes empresas; buscar medidas para diminuir a sonegação de impostos ou mesmo deixar de pagar a dívida pública.

Professores na Assembléia

Os alunos da nossa escola entendem e apóiam a luta dos professores. Na ocasião da prisão dos professores, um deles foi o professor Antônio Neto, docente de geografia da nossa escola. Os alunos realizaram um manifesto de apoio ao professor, com cartazes e fotos que foram divulgadas nas redes sociais.

Apoio profe Neto

Portanto, a nossa luta não é somente para receber os nossos salários em dia – um direito do trabalhador garantido por lei e que foi violado pelo Estado – também lutamos por qualidade de ensino, por segurança e saúde, direitos também garantidos pela constituição e que o governo vem precarizando com o objetivo de privatizar, consolidando assim, a sua opção política de redução do Estado, sacrificando a grande maioria da população que precisa da escola pública, de atendimento público em saúde e segurança pública.

 

Mais informações em:

http://cpers.com.br/

http://www.sul21.com.br/jornal/professores-detidos-pela-bm-em-frente-a-al-protestam-ninguem-aqui-e-bandido/

https://docs.google.com/document/d/1zKOyQfb_hmYR5yQXWEXNxzO–5bKLXVfy-9TgFH2FQw/edit

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2015/08/entenda-crise-financeira-do-rio-grande-do-sul.html

Sobre o InterVale no Salão de Ensino UFRGS 2015

Por Gisele Secco

Hoje, dia 20 de outubro de 2015, foi um dia intenso para alguns membros de nossas equipes – e para mim, que acompanhei todas as apresentações.

Foram cinco comunicações de bolsistas, apresentadas em quatro sessões da modalidade “Relato de experiência pedagógica PIBID”, do Salão de Ensino UFRGS 2015 – evento que forma parte do Salão UFRGS deste ano.

A primeira delas foi “A ciência e as histórias em quadrinhos: abordagem interdisciplinar a partir de uma linha do tempo”, apresentada por Gustavo Kessler, estudante de licenciatura em Física.

Gustavo contou aos participantes como construímos a linha do tempo científico-tecnológica que permite visualizar as principais descobertas determinantes para a criação de personagens como as do Quarteto Fantástico, Homem Aranha e Incrível Hulk, dentre outras. Ao final de sua apresentação ele distribuiu aos presentes uma cópia do fanzine didático produzido pela equipe do CAp/UFRGS com a finalidade de revisar com os alunos o que foi trabalhado na primeira parte da disciplina eletiva Heróis em quadrinhos – leituras interdisciplinares, incluindo um roteiro sobre como elaborar storyboards (um ponto importante para a criação das HQ’s dos alunos do Ensino Médio que cursam a disciplina).

Gustavo caracterizando a inventividade e a criatividade de Stan Lee, criador de muitos super-heróis da Marvel Comics cujas narrativas combinam elementos de descobertas científicas e inovações tecnológicas

Gustavo caracterizando a inventividade e a criatividade de Stan Lee, criador de muitos super-heróis da Marvel Comics cujas narrativas combinam elementos de descobertas científicas e inovações tecnológicas.

A empolgação de Gustavo com o trabalho, e sua excelente apresentação, resultou em uma ótima troca de comentários com os membros da comissão examinadora, e na indicação do trabalho para a sessão de destaque desta modalidade.

O segundo trabalho foi “Justificar e dar razões: ações interdisciplinares na disciplina de Seminário Integrado”, apresentado por Jeferson Huffermann, estudante de licenciatura em Filosofia.

Jeferson, que compõe a equipe que trabalha na E.T.E.S. Ernesto Dornelles, relatou parte das atividades iniciais que a equipe realizou com as turmas de primeiro ano do Ensino Médio do turno da manhã. Sua ênfase foi colocada na aquisição de habilidades argumentativas por parte dos alunos através da construção de um julgamento sobre temas polêmicos escolhidos pelos alunos, não sem antes termos apresentados a eles algumas distinções conceituais importantes. Você pode ler mais sobre esta sequência didática relatada por Jeferson aqui.

Jeferson introduzindo o contexto da sequência sobre justificativas

Jeferson introduzindo o contexto da sequência sobre justificativas.

Creio que para a próxima edição do Salão de Ensino se poderia tentar melhorar um pouco a dinâmica de escolha dos destaques de sessão, mantendo o espírito democrático que foi impingido este ano (a escolha foi feita pelos participantes), mas com a explicitação dos critérios a serem utilizados e a disponibilização dos resumos, para uma melhor consideração por parte dos envolvidos.

A ideia de realizar uma rodada de trocas de impressão sobre os trabalhos, implementada nesta edição do salão, pode ser aprimorada. No centro na foto, falando, a aluna Bruna Vieira Dorneles explica melhor seu trabalho "Conflito de gerações: memória, narrativa e sensibilidade", indicado como destaque da sessão.

A ideia de realizar uma rodada de trocas de impressão sobre os trabalhos, implementada nesta edição do salão, pode ser aprimorada. No centro na foto, falando, a aluna Bruna Vieira Dorneles explica melhor seu trabalho “Conflito de gerações: memória, narrativa e sensibilidade”, indicado como destaque da sessão.

O terceiro trabalho, apresentado já no turno da tarde, foi “Heróis em quadrinhos: diferenças no processo criativo de storyboards“, por conta de Matheus Rigo, estudante de licenciatura em Matemática.

Matheus relatou os primeiros passos da equipe do CAp, que você pode conferir aqui. Estreante nas artes da retórica acadêmica, Matheus se saiu muito bem! Ele terminou o relato indicando como esta atividade, realizada no início do ano letivo, está germinando bons frutos agora, quando os alunos estão em processo de criação de suas próprias HQ’s, com seus próprios super-heróis. A exemplo de Gustavo, ao final de seu relato Matheus distribuiu exemplares do “Zine Didático” aos ouvintes da sessão, como amostra de nosso trabalho.

Matheus e o trabalho com storyboards na construção de HQ's

Matheus e o trabalho com storyboards na construção de HQ’s

Diferentemente dos trabalhos anteriores, os dois sobre os quais falarei agora foram apresentados na mesma sessão. Isso gerou um problema: foram tão boas as apresentações, mas somente uma podia ser indicada como destaque!

Júlia Ramires apresentou o relato de outra parte das atividades no CAp, “Heróis em quadrinhos: a radioatividade a partir de uma perspectiva interdisciplinar”, sobre o que se pode ler aqui. Com excelente desenvoltura, Júlia contou aos presentes não somente sobre as aulas de radioatividade a partir de personagens de HQ’s, mas sobre o processo de criação e elaboração da linha do tempo (a mesma sobre a qual Gustavo falou em seu trabalho, afinal são muito complementares um ao outro) e do fanzine – que, igualmente, foi distribuído ao final do relato. O trabalho de Júlia, como o de Gustavo, foi escolhido para ser reapresentado na sessão de destaques.

A linha do tempo científico-tecnológica e as personagens de HQ's

A linha do tempo científico-tecnológica e as personagens de HQ’s.

Por fim, Vitória Nani terminou de colorir nosso dia com o relato intitulado “Hora da Ciência: ações interdisciplinares no Seminário Integrado”. Como já contamos aqui, Vitória (que é estudante de Física) e Michele (da Biologia), em parceria com alguns bolsistas do PIBID Física, executaram a ideia de Vitória de criar, dentro dos Seminários Integrados, um espaço de estímulo à pesquisa científica, a “Hora da ciência”. Com uma segurança ímpar, Vitória defendeu sua estratégia não somente com base nos resultados pretendidos, mas nos efetivamente obtidos: os alunos gostaram bastante das atividades propostas e já se mostram muito mais dispostos a conversar sobre ciência no cotidiano da sala de aula.

Vitória apresenta: "A Hora da ciência"

Vitória apresenta: “A Hora da ciência”

O que dizer depois desta jornada, que em poucas nos faz condensar as vivências de um ano inteiro?

Que os principais ingredientes de nosso sucesso  – que não se mede apenas pelas indicações de destaque ou eventuais prêmios, senão sobretudo pelo engajamento de cada um com cada palavra usada para descrever as experiências vividas com e através do InterVale – são:

• a colaboração generosa e paciente com as colegas coordenadoras de outros subprojetos PIBID UFRGS, desde que o InterVale era só uma ideia (em especial, neste ano, devemos agradecer à professora Paula Mastroberti, que ministrou uma Oficina sobre produção de quadrinhos ainda nas férias de verão; e às professoras Teka Silva e Tânia Salgado, que revisaram os materiais das ciências naturais levados para as salas de aula);

• a maturidade e a responsabilidade admiráveis de nossos supervisores, os professores Ivete Stempkowsi e Rafael Cortes;

• o constante estímulo à interdisciplinaridade por parte da coordenação institucional do PIBID UFRGS;

• à acolhida das escolas em que trabalhamos às nossas ideias e aos nossos trabalhos;

• mas sobretudo, principalmente, prioritariamente, muito especialmente ao espírito de abertura ao novo, ao inusitado, ao desafiador e muitas vezes mesmo assustador trabalho colaborativo entre futuros professores de áreas e disciplinas tão distintas quanto as que compõem nosso querido InterVale.

Dandara, Gustavo, Jeferson, Júlia, Matheus, Matheus, Michele, Ronald, Tamara, Vitória e Vitória: vocês me fazem segura de que, sim, se pode fazer mais e melhor. De que o imaginável é realizável.

Eu, por isso, lhes sou plenamente grata.

#ficapibid

Oficina de escrita criativa – Parte I

Por Ronald Augusto, bolsista de iniciação à docência

Nos dias 05 e 26 de agosto de 2015 desenvolvi com as turmas de primeiro ano da manhã em que atua o PIBID Intervale na E. T. E. S. Ernesto Dornelles a atividade de oficina de texto criativo ou de criação textual. O objetivo da oficina foi o de apresentar aos alunos e experimentar com eles um gênero de texto que tem como característica principal provocar no leitor a inquietação ou o prazer estético. O foco da oficina foi, portanto, familiarizar os alunos com alguns elementos poéticos e/ou literários constitutivos dessa espécie de texto.

A partir de noções muito simples e objetivas como, por exemplo, a rima, o exercício de percepção de acentos fortes e fracos presentes nas palavras, o uso trocadilho como forma de manipulação de sons e sentidos, os efeitos aliterativos etc, trabalhei com as turmas a ideia de que a poesia encarece um tipo especial de função da linguagem. IMG_20150826_112224571À diferença das demais funções da linguagem que, de modo geral, são de cunho referencial (se referem a algo exterior à sua materialidade mesma, são etiquetas da realidade), a função estética é a função dominante na poesia que nos leva a perceber a linguagem ela mesma enquanto materialidade e seus jogos e combinações. A função estética como que nos revela a linguagem como coisa. O escritor manipula as palavras, como outros artistas manipulam os seus materiais (bronze, sons, pigmentos e objetos) na perspectiva de criar processos e prazeres estéticos significantes.

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Assim, convidei os alunos a dar mais atenção ao aspecto criativo na sua relação com o discurso verbal escrito, na tentativa de chegar às situações estéticas de linguagem. A partir da noção de que quem leva mensagem é o carteiro, deixamos de lado a função meramente referencial ou comunicativa do signo verbal e partimos para o jogo, a brincadeira com os sons e os sentidos. O poeta (ou o sujeito que faz literatura) mais sugere do que afirma categoricamente o que quer que seja.

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Uma dinâmica interessante, cuja intenção era lidar com a ambiguidade do texto literário, foi a seguinte: apresentei aos alunos das duas turmas uma lista de palavras pouco usuais, palavras conhecidas o mais das vezes por pessoas com um bom repertório de leitura (tanto em termos quantitativos, como qualitativos). A ideia era essa: apresentar palavras desconhecidas, palavras que não fizessem o menor sentido para eles. Feita a listagem eles se dividiram em grupos e pedi para que eles criassem textos usando essas palavras.circunspecto

Ao mesmo tempo em que os textos eram criados as palavras desconhecidas entravam na construção com os significados que eles deveriam inventar para elas. O resultado é divertido já que depois de eu fazer a leitura dos textos produzidos, os significados dicionários são revelados e eu faço uma nova leitura colocando os significados “reais” no lugar das palavras “fora do lugar” ou das palavras para as quais eles tiveram que inventar significados-tampão.

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Como uma espécie de questão avaliativa contei para eles uma anedota conhecida entre escritores, a anedota é mais ou menos assim: o poeta e o aprendiz de poesia conversam sobre o problema da criação poética; num dado momento o aprendiz expõe sua angústia ao poeta, diz ele “poeta, eu tenho muitas ideias e imagens para poemas, mas acontece que na hora H eu não consigo fazer o poema, eu fico todo travado e não sai nada, por que isso acontece?” ao que o poeta lhe responde “caro aprendiz, acontece que um poema não se faz com ideias, mas com palavras”.

Não revelei aos alunos a resposta do poeta, pois contei até o ponto em que o aprendiz expõe sua dúvida. Pedi que eles respondessem ou completassem por escrito à seguinte questão: “um poema se escreve com…”.

letraAlguns responderam com piadas do tipo: um poema se escreve com lápis e papel ou com a mão etc. Mas isso está muito perto da resposta dada pelo poeta, porque a ironia ainda é uma espécie de descrição ampliada da ideia (materialista e algo física) de que um poema se escreve com palavras. Muitos responderem que um texto literário se escreve com prazer e criatividade, com frases, enfim, todos chegaram bem perto do objetivo, qual seja, compreender o texto criativo (a poesia, a literatura) como algo menos complicado e menos sagrado, enfim, como algo vivo e manipulável, que também pode ser feito coletivamente (como uma canção) e sem que a pessoa tenha que se dispor a uma situação extraordinária ou ficar como que “fora de si”.

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Fiquei muito satisfeito com a participação de todos os alunos, com o interesse que demonstraram nas duas jornadas da oficina. Em alguns grupos notei um esforço de caprichar o texto, de procurar rimas ou outros efeitos. Isso revela que havia algo além da mera realização da tarefa, isto é, que eles, dentro do possível, “se puxaram”. Outro indicativo do interesse dos alunos se revelou em relação aos livros que distribui do seguinte modo: no primeiro dia da oficina (05 de agosto) premiei com livros os 3 melhores textos de cada turma. Já em nosso segundo encontro (26 de agosto) não ofereci nenhum livro ou premiação às produções, no entanto a participação e o entusiasmo foram tão grande quanto à ocasião onde havia um “brinde” àquele aluno que realizasse melhor a tarefa.

Fotografias: Acervo InterVale